Segunda-feira, 27 De Setembro,2010

Errata: revisões de uma vida

Pode um crítico literário, ensaísta e professor de literatura comparada em Oxford ser uma celebridade fora dos círculos académicos? Pode, mas convém que se chame George Steiner. Nos tempos da celebração do efémero, a sabedoria livresca de Steiner (n. 1929) é, paradoxalmente, a razão do seu reconhecimento. A sociedade que pressente a importância dos clássicos, mas que não tem tempo para os ler, precisa de um sábio de outras eras que se dedique a essa tarefa, que seja o guardião da sabedoria universal. Os seus leitores, mesmo os de uma obra tão exigente como Antígonas, viajam a reboque pela cultura ocidental, deslumbrados com as pontes entre Homero e Shakespeare, entre Sófocles e os grandes romancistas russos do século XIX. A resposta da academia a esta erudição monumental com uma veia pedagógica balançou entre a condescendência e o menosprezo. Para os micro-especialistas, pós-doutorados com teses sobre os cavaleiros do lago de Paladru, a dispersão apaixonada de Steiner, o temerário desafio de se lançar aos grandes “titãs”, são encarados como diletantismo inconsequente ou exibicionismo pedante. Errata: revisões de uma vida, sendo uma súmula dos “vícios” e “virtudes” intelectuais do autor, é também, por esse motivo, uma resposta aos seus detractores. Mais do que uma autobiografia, é um ensaio com “gatilhos” autobiográficos. Steiner nunca se expõe e contorna sem esforço as incursões ostensivas na intimidade. Em que outra autobiografia poderíamos encontrar um capítulo consagrado ao mistério da música, onde Steiner conclui, entre o fascínio e a decepção, que “face à música, as maravilhas da linguagem são também as suas frustrações” (p.83)? É como se a máscara pública de Steiner escondesse uma réplica idêntica, com a qual partilha o nome e as perplexidades. Em Errata, Steiner volta a questões como o convívio aparentemente contraditório entre a alta cultura e a barbárie ou os limites da linguagem para circunscrever todos os fenómenos da experiência humana, que já aprofundara nos seus ensaios sobre o Holocausto e que são indissociáveis da sua condição judaica. Filho de judeus austríacos que, prevendo os tempos sombrios que se aproximavam, emigraram para França, Steiner foi educado no ambiente do judaísmo secularizado. É essa a origem da “reverência hipertrofiada pelos clássicos”, do multilinguismo e da submissão do impulso criador à hermenêutica, características sem as quais a sua obra e a sua “persona” não são concebíveis. O conservadorismo clássico de Steiner e a sua rejeição veemente do pós-modernismo e do “caos relativista” implicaram, por outro lado, uma cegueira obtusa perante expressões artísticas modernas, como o cinema ou a música popular. Entre várias lamentações – uma especialidade judaica – Steiner assume, porém, a sua devoção aos clássicos e ao ensino, a sua verdadeira vocação. Até na autobiografia, um género mais propenso ao memorialismo ou à romantização, a vontade de partilhar significados e o prazer de ensinar sobrepõem-se ao resto. É isso que faz de George Steiner, mais do que uma celebridade académica, um mestre no sentido clássico da palavra.

publicado por Bruno Vieira Amaral às 01:04
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Barroco Tropical

Aldous Huxley escreveu que “um livro sobre o futuro não pode interessar-nos, a não ser que as suas profecias tenham a aparência de coisas cuja realização se pode conceber”. Barroco Tropical, sétimo romance do angolano José Eduardo Agualusa, não corre o risco de não nos interessar porque para conceber o futuro imaginado pelo escritor basta saber um pouco sobre o presente de Angola. A acção decorre no ano de 2020, em Luanda, mas ao longo das 339 páginas do livro, Agualusa mantém o leitor em 2009. A culpa talvez seja de um país onde, como diz um dos personagens, “até o futuro é arcaico”. O oxímoro, e não há escassez de oxímoros no livro, capta a essência contraditória da sociedade angolana. Opulência e miséria, tradição e futuro, realidade e ficção são elementos que, ao invés de se anularem, se potenciam. Do oxímoro à hipérbole, a figura de estilo do barroco, é um pequeno passo. Um excesso que Agualusa não desaproveita, nem sempre com os melhores resultados. Os bons contadores de histórias, e Agualusa é dos melhores da nossa língua, têm uma fraqueza: desperdiçar uma história é um acto contranatura. Sobram personagens excessivos em Barroco Tropical, um mal ampliado pela estrutura do livro que tem um capítulo dedicado à apresentação dos personagens secundários. Mesmo com uma epígrafe que se socorre da compreensão metaliterária do leitor, o capítulo 3 não deixa de ser uma solução que expõe demasiado a estrutura. São 40 páginas em que o “engenheiro” substitui o romancista ou, para recorrer a uma imagem do livro, em que a lagarta irrompe da borboleta. O escritor parece não ter resistido quer à própria imaginação, quer “ao alfobre de personagens insólitos” que é Luanda. Quando se olha a realidade de fora, e o olhar de Agualusa sobre Angola é o de um “estrangeirado”, tem-se a virtude de ver o que os outros não vêem. Por outro lado, o olhar exterior pode ser afectado pela “síndrome do turista”, que consiste no fascínio pueril pelo pitoresco e pelo superficial. O observador perspicaz pode tornar-se o guia de uma visita à Disneylândia do Terceiro Mundo, com os seus pobres, os seus curandeiros e os seus Ratos Mickey. É o principal risco de se descrever uma sociedade em que o absurdo invade o quotidiano ao ponto de não se distinguirem. Um risco presente desde o início do romance em que, numa inversão gravítica do episódio mais célebre do “realismo mágico”, uma mulher cai do céu. Esta profusão tropical de personagens e situações é temperada pelo estilo enxuto de Agualusa. A linguagem é sóbria, à procura da palavra certa, e evita exibições grandiloquentes de virtuosismo que transformariam o livro num pleonasmo de barroco, um exagero exagerado. O facto de o narrador principal ser um escritor permite o recurso a artifícios como as reflexões sobre a estrutura do romance, os apartes etimológicos e as referências a outros escritores (Coetzee, Manoel de Barros, Augusto Monterroso e até uma piada sobre Paulo Coelho), que apelam ao leitor mais cínico. Livro sobre o futuro de Angola, Barroco Tropical é também, implicitamente, um livro sobre o futuro da língua portuguesa. A escrita de José Eduardo Agualusa, que se desloca com elegância entre as diferentes variantes do idioma, navega esse futuro que se pode designar de “português transatlântico”.

publicado por Bruno Vieira Amaral às 01:03
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Em busca da identidade

Vivemos em Democracia mas não vivemos a democracia no dia-a-dia, no exercício das nossas liberdades, na rejeição das pequenas tiranias que nos sufocam e paralisam. Aceitamos tudo porque só assim nos podemos queixar de tudo. São essas as nossas armas: a queixa, a inveja e a arte de viver nas fendas que é o chico-espertismo. “Em Busca da Identidade – o desnorte”, o filósofo José Gil atribui à doença da identidade, ao excesso de identidade, a nossa paralisia social e cívica. “Somos portugueses antes de sermos homens” (p.10) e o peso dessa identidade afecta os percursos individuais e degrada o espaço público. O excesso de identidade conforta e imobiliza, somos o que somos e isso desculpa-nos, exime-nos do debate, protege-nos do conflito e empurra-nos para o queixume. Transferindo “mecanismos psicanalíticos para o colectivo”, José Gil detecta traços neuróticos nos portugueses durante o Estado Novo como, e cita Ferenczi, “a atenuação do sentimento de responsabilidade”, “o adiamento de todas as acções” e “a crença na realização das ideias só porque são pensadas”. Estes traços permanecem no português do pós-25 de Abril como estratégia de sobrevivência, de adaptação a uma realidade que não era imediatamente dada, que tinha de ser construída. A liberdade colocou problemas de identidade, que levaram a que os portugueses se refugiassem em “antigos moldes que forneciam segurança e paz interior”. Décadas de salazarismo não só afastaram os portugueses do espaço público de debate mas também criaram uma identidade avessa ao conflito e à discussão. A identidade do português não estava preparada para a realidade democrática, para o exercício da cidadania, para a expressão livre. Para José Gil, este conflito entre a identidade e a realidade explica “a nossa dificuldade actual em nos desviarmos de uma via única”. É a nostalgia da ordem salazarista, de um sossego existencial característico dos regimes ditatoriais, de uma paz claustrofóbica que vai respirando pelo tubo do “queixume delirante”. José Gil desmonta a retórica da “via única” do primeiro-ministro José Sócrates, do discurso reformista que, quando embate com a realidade, prefere a cosmética à transformação dessa realidade. É a institucionalização do chico-espertismo. As tácticas de sobrevivência quotidiana que constam do manual do chico-esperto são, enfim, consagradas pelo próprio Estado. A vontade de mudança permanece como “aspiração flutuante”, impossível de satisfazer, enquanto que, na prática, prevalecem truques como o estudo da OCDE que não era da OCDE. A propaganda da “via única” também procura contornar o conflito ou, quando ele é inegável, desinscrevê-lo do real. A atitude do governo relativamente à contestação dos professores é disso o melhor exemplo. Reconhece-se o direito à manifestação mas retira-se-lhe qualquer significado político, como se 120.000 professores, zombies ou couves fossem a mesma não-coisa. “Assim começa a interiorização da obediência” no país do respeitinho, onde, como afirma José Gil, “estamos ainda longe de praticar a democracia”.

 

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publicado por Bruno Vieira Amaral às 01:01
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Estrela Distante

Sempre que aparece um escritor latino-americano a tendência é saber se é filho de Borges ou de García Marquez. Recorrendo à feliz formulação de José Eduardo Agualusa, trata-se de saber se o autor vem da biblioteca ou da bananeira. Se o símbolo heráldico é o tigre mental de Borges ou o papagaio festivo do realismo mágico. Estes eucaliptos literários confinaram a possibilidade de se discutir a literatura latino-americana aos limites das respectivas obras, como se antes deles nada houvesse e como se depois deles nada de novo pudesse surgir. O chileno Roberto Bolaño (1953-2003) não escapou ao processo de filiação e, após testes de ADN, confirmou-se: Bolaño era da família literária de Borges. Em Estrela Distante, publicado em 1996, há referências explícitas a Borges e, ainda mais frequentes, alusões ao que designamos de universo borgesiano: mapas, duplos, xadrez, filologia, conjecturas e bibliografias falsas. Mas a família de Bolaño é mais alargada e nela cabem Cortázar, Perec, Calvino e o grupo OuLiPo. Aos exercícios de erudição (na mesma página fala-se de Nicanor Parra, Sylvia Plath e Elizabeth Bishop) junta-se o aspecto lúdico, pós-moderno, que se equilibra entre a paródia e o absurdo (no que lembra Gómez de la Serna). A acção do livro inicia-se nas vésperas do golpe que derrubou Allende e acompanha um grupo de jovens estudantes e poetas. Desse grupo fazem parte o narrador e um autodidacta, Alberto Ruiz-Tagle, um corpo estranho de pragmatismo num meio de entusiasmados com a literatura e com a política. Após o golpe de Pinochet, a repressão atinge os membros do grupo. Alguns desaparecem, outros são presos e o enigmático Ruiz-Tagle reaparece como Carlos Wieder, um piloto da Força Aérea chilena, que escreve poemas e versículos bíblicos nos céus de Santiago. Wieder é também o responsável pela morte de alguns dos antigos companheiros. Na última parte, já nos anos 90, o livro adquire contornos de policial em que um detective é pago para encontrar Wieder. Desta forma, Bolaño junta “alta” e “baixa” cultura, o erudito e o popular. Ruiz-Tagle/Wieder é o elemento central do livro. Como é sugerido desde o início, com a comparação entre a sua casa e a casa dos vizinhos satânicos do filme A Semente do Diabo, Wieder é uma encarnação do Mal, uma espécie de anti-consciência negra do regime de Pinochet. É um sádico para quem a arte é meramente funcional e utilitária. A sua poesia megalómana na forma e pobre no conteúdo seria a emanação artística e involuntária da essência da ditadura, uma espécie de braço artístico do regime. Estrela Distante pode ser visto como uma ponte de passagem entre o Bolaño poeta e da narrativa curta para o romancista atípico que alcançou a consagração com Os Detectives Selvagens e com o póstumo, ainda por publicar em Portugal, 2666. É este papel de transição que desculpa o excesso de digressões eruditas e lúdicas que parecem ter sido escritas mais para ajudar o escritor a suportar os rigores do ofício do que para acrescentar valor à narrativa. Estrela Distante vale como exercício de aquecimento para os romances que se seguiram.

publicado por Bruno Vieira Amaral às 00:59
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Órfãos do Eldorado

A novela Órfãos do Eldorado é a continuação por outros meios das obsessões do escritor brasileiro de ascendência libanesa Milton Hatoum (n. 1952). Em três romances (Relato de um Certo Oriente, Dois Irmãos e Cinzas do Norte), todos distinguidos com o prestigiado Prémio Jabuti, Hatoum delimitou um território privado na ficção brasileira. No cenário físico da Amazónia e no cenário cultural da comunidade de emigrantes libaneses, construiu um mundo de estranhos num local estranho. Com estas coordenadas geográficas e culturais, o leitor incauto pode entrar na obra de Hatoum à procura de tucanos e velhos patriarcas orientais a fumar narguilé. Sairá desiludido. Não que os não haja, mas Hatoum não se deixa prender pelas armadilhas do exotismo amazónico e de um certo oriente idealizado. Os conflitos familiares e os mitos que os envolvem são o seu tema. Através de uma linguagem escorreita e de um conceito clássico de narrativa, Hatoum resgata as suas personagens do pântano do exótico e coloca-os no palco dos temas universais. É isso que acontece em Órfãos do Eldorado, novela que foi convidado a escrever para incluir na colecção Mitos. Respeitando a dinâmica narrativa da novela, o autor integra o mito do Eldorado na história da ascensão e queda da família Cordovil, na primeira metade do Século XX. É a história clássica de um pai “forte” que constrói fortuna e reputação e de um filho fraco que deita tudo a perder. O que lhe confere a aura de tragédia é o facto de o pai ser, de várias maneiras, o responsável pela “fraqueza” do filho. Culpa-o pela morte da mãe (“Tua mãe te pariu e morreu”), entrega-o para ser criado no meio dos mitos que lhe inflamam a imaginação e que acabam por lhe moldar o carácter errático e, sem que o saiba, coloca no caminho do filho a mulher que será a causa da sua perdição. À boa maneira grega, é no caminho para a glória que se lançam as sementes da desgraça. Hatoum semeia presságios (“vais morrer afogado”; “ela não vai ser tua mulher”; vais voltar com o demónio no coração”), carrega os nomes de simbolismo (Arminto, Amando, Edílio, Azário) e incorpora subtilmente mitos de outras paragens. O Eldorado real, o barco do qual depende a fortuna dos Cordovil, naufraga porque o comandante se desvia da rota para ir ver uma amante, talvez atraído pelo canto da sereia. A teia narrativa é arquitectada pela memória do narrador, o filho pródigo Arminto. Com este recurso, Hatoum trabalha uma vez mais a questão da memória enquanto alicerce da sua obra ficcional e, mais importante, dá à novela uma ambiguidade que enriquece a leitura. Contada pelo homem que a viveu e que é considerado louco, a história funde-se com o seu narrador numa amálgama de realidade e de lenda. Órfãos é um transplante bem sucedido para os limites da novela de um universo que, até agora, Hatoum apenas explorara em romances. O maior mérito, porém, não é a coerência, uma característica que pode justificar os mais entediantes monumentos. Hatoum não faz mais do mesmo. Aprofunda e refina aquilo que o distingue: retratos de família universais com a Amazónia em fundo.

publicado por Bruno Vieira Amaral às 00:58
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Norte

Louis-Ferdinand Céline (1894-1961) continua a ser um nome controverso na história da literatura do séc. XX. Formado em Medicina, conquistou a celebridade literária com o primeiro romance (Viagem ao Fim da Noite, 1932), uma obra em que a sua experiência pessoal durante a I Guerra e nos anos seguintes foi transferida para o narrador, o seu alter-ego Ferdinand Bardamu. Escrito num estilo próximo da oralidade, inovando no recurso ao calão e a neologismos, o livro teve a bênção simultânea da crítica e do público. O segundo romance, Morte a Crédito, publicado em 1936, não teve o mesmo sucesso. Mas foram os panfletos anti-semitas e a colaboração com a Alemanha nazi que lançaram sobre Céline o anátema de escritor maldito que perdura até hoje.

 

Em 1944, a libertação da França pelas tropas aliadas obrigou-o a procurar refúgio na Alemanha. 2ª parte de uma trilogia que inclui os romances Castelos Perigosos e Rigodon, Norte é o relato dessa viagem ao fim da noite alemã. Acompanhado pela mulher, pelo gato e por um amigo, Céline relata sem ilusões a sua condição de refugiado e de colaboracionista. A traição à pátria obriga-o a partilhar o destino de uma Alemanha derrotada sem o consolo moral de ser alemão: “Somos malditos em toda a parte”; “só queriam uma coisa, ver-se livres de nós”. Apesar da desconfiança com que são recebidos, apesar das privações e das indignidades sofridas, para Céline tudo é preferível a ter ficado em Paris: “Quando as hienas vêm atrás de nós, saltar para a boca do lobo é apesar de tudo uma pequena vingança...”. A lucidez com que avalia a sua situação é a mesma que utiliza para descrever o que era então uma sociedade à beira do colapso. Céline compõe um quadro onde, num contexto de destruição geral, as intrigas palacianas, as depravações sexuais, as denúncias fúteis e as burlescas sessões de cartomancia de aristocratas desesperados formam um conjunto de coerência absurda, como na estranha lógica de um pesadelo ou de uma alucinação. Como no resto da sua obra, Céline aproxima uma lupa das suas personagens, expondo com a mesma precisão clínica a decadência física e a corrupção moral. O resultado é a humanidade retratada sem piedade num tom que vai do grotesco ao humor negro.

 

Por tudo isto, e apesar da narração na primeira pessoa e da persona do autor, Norte não é um panfleto em que um pária vocifera as suas memórias. Norte é um romance. É o autor, e não o homem, que se revela nestas páginas. O seu estilo recria os ritmos do discurso oral, não o transcreve. As imprecações e o calão, as onomatopeias e as reticências não são, ao contrário do que convém à lenda satânica, ejaculações de ódio de um louco anti-semita. São as ferramentas de um escritor para dominar uma locomotiva que apenas não segue os carris académicos. A música celineana não é uma melodia agradável. É uma sinfonia através da qual o escritor exorciza o ódio pelo qual ainda hoje é julgado.

 

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publicado por Bruno Vieira Amaral às 00:57
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